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Manifestantes protestam contra mineração na Serra do Curral na véspera de reunião decisiva

Projeto da Taquaril Mineração vai ser analisado em reunião da Câmara de Atividades Minerárias da Secretaria de Meio Ambiente

Por Lucas Pavanelli e Edson Costa | 28/04/2022 às 20:49
Edson Costa/Itatiaia
Foto: Edson Costa/Itatiaia

Manifestantes se reuniram na praça Raul Soares

Moradores e ambientalistas fizeram uma manifestação nesta quinta-feira (28) contra um projeto de mineração na Serra do Curral. O protesto, que contou com a participação de blocos de Carnaval, ocorre na véspera de uma reunião decisiva na Câmara de Atividades Minerárias (CMI) que pode conceder o licenciamento para início do empreendimento. 

Uma caminhada, que contou com cerca de 200 pessoas, percorreu o trajeto entre as praças Raul Soares e da Estação. 

"Essa é uma tentativa de mostrar para o belo-horizontino e o mineiro a ameaça que está vindo e a pressão que [o projeto] vai causar para cima de Belo Horizonte, uma cidade que já sofre muito com mudanças climáticas. Estamos reunidos para falar com o resto da população que estamos para ter uma transformação radical e não é para melhorar a cidade, caso o complexo minerário venha a ser licenciado na Serra do Curral", explica a integrante do Projeto Manuelzão, Geanine Oliveira, que compareceu ao ato. 

Entenda o projeto

O projeto, da Taquaril Mineração S.A (Tamisa), está na pauta da Câmara de Atividades Minerárias (CMI), ligada à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), na próxima sexta-feira (29). Caso seja aprovado, a empresa conseguirá o licenciamento para implementar o Complexo Minerário Serra do Taquaril (CMST), localizado na divisa entre as cidades de Belo Horizonte, Nova Lima e Sabará.

Na prática, a construção do CMST pretende retirar 31 milhões de toneladas de minério de ferro ao longo dos próximos 13 anos em uma região que fica localizada na Serra do Curral, entre os municípios de Belo Horizonte, Nova Lima e Sabará. 

O projeto que será votado na reunião de sexta-feira prevê o desmatamento de mais de 41 hectares de vegetação nativa remanescente de Mata Atlântica - o dobro da área construída do estádio Mineirão. Desse total, quase seis hectares estão localizados dentro de uma Área de Preservação Permanente (APP). 

A mineração Taquaril fica localizada a cerca de 1,5 km do Parque das Mangabeiras e a menos de 5 km de pontos importantes da capital mineira, como a Praça da Savassi, o Parque Municipal e a Estádio Independência. 

O Ministério Público entrou com uma ação civil pública para tentar suspender o projeto. 

Taquaril Mineração

Em nota, a mineradora diz que atende às legislações municipal, estadual e federal e que o  projeto recebeu parecer favorável para ser analisado pela Câmara de Atividades Minerárias nesta sexta. 

Confira a nota, na íntegra: 

Inicialmente, a Taquaril Mineração S.A. - TAMISA registra que é uma empresa pré operacional e todas suas atividades são pautadas dentro da mais estrita legalidade, em total atendimento à legislação municipal, estadual e federal pertinente. A respeito de ações judiciais, registra que até o presente momento não há qualquer decisão ou pronunciamento judicial no sentido de impedir a continuidade do licenciamento de seu projeto minerário, o qual, após profunda análise técnica e legal, recebeu parecer favorável da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Estado de Minas Gerais para votação na Câmara de Atividades Minerárias do COPAM.
 

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