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Cruzeiro solicita transação disciplinar e STJD adia julgamento por cânticos homofóbicos

Clube celeste e o Grêmio serão julgados por atos das torcidas na sexta rodada da Série B

Por Guilherme Piu, Emerson Pancieri e Álvaro Damião | 30/05/2022 às 14:43
Staff Images/Cruzeiro
Foto: Staff Images/Cruzeiro

Clubes tentam acordo com o STJD após adiamento do julgamento

O julgamento do Cruzeiro no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por cânticos homofóbicos no jogo contra o Grêmio, na sexta rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, foi adiado. A sessão, que ocorreria nesta segunda-feira (30) na Primeira Comissão Disciplinar do STJD, foi retirado da pauta a pedido dos clubes. 

"O processo estava na pauta desta segunda, dia 30, e foi retirado a pedido dos clubes para que seja ofertada Transação Disciplinar", informou o STJD em nota publidada no site oficial da entidade. 

Virtualmente, no julgamento desta segunda, o Cruzeiro ingressou com o pedido de transação disciplinar, o que também foi feito pelo Grêmio. 

"Os clubes encaminharão a sugestão para análise da Procuradoria. A Procuradoria da Justiça Desportiva pode acolher a proposta e remeter para homologação do Pleno ou rejeitá-la. Em caso de rejeição o processo retorna para julgamento em primeira instância na Comissão Disciplinar", diz outra parte da nota do STJD. 

Relembre o caso

Cruzeiro e Grêmio foram denunciados pela Procuradoria do STJD por cânticos homofóbicos no jogo da sexta rodada, vencido pela Raposa por 1 a 0, no estádio Independência, em Belo Horizonte. O clube celeste também será julgado pelo arremesso de dois copos de cerveja no gramado. 

"Cumpro informar que aos 27 minutos do primeiro tempo, após a marcação do gol da equipe do Cruzeiro SAF, foi arremessado dois copos de cervejas dentro do campo de jogo, um no meio de campo próximo onde se encontrava o banco de reservas da equipe do Grêmio RS e outro atrás do gol da equipe visitante próximo aos fotógrafos. Informo ainda que ambos vieram de onde se encontrava a torcida do Cruzeiro SAF", escreveu o árbitro Flávio Rodrigues de Souza na súmula do jogo. 

Os próprios clubes entraram com Notícias de Infração (NI) denunciando o adversário por  cânticos homofóbicos. O Grêmio pela música entoada na arquibancada celeste: "Arerê, gaúcho dá o c* e fala tchê". Já o Cruzeiro pelo coro de "Maria joga vôlei" da torcida gremista. 

Portanto, a Procuradoria do STJD denunciou o Cruzeiro por "não prevenir e reprimir o arremesso de objetos no campo, infração descrita no artigo 213, inciso III do CBJD. Pelos cânticos discriminatórios o clube mineiro foi enquadrado no artigo 243-G, parágrafos 1º e 2º, do CBJD. Já o Grêmio responderá ao artigo 243-G, parágrafo 2º do CBJD", apontou. 

Confira o que prevê cada artigo:

Art. 213. Deixar de tomar providências capazes de prevenir e reprimir:
III - lançamento de objetos no campo ou local da disputa do evento desportivo.

PENA: multa, de R$ 100 a R$ 100 mil.

Art. 243-G. Praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência:

PENA: suspensão de cinco a dez partidas, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador, médico ou membro da comissão técnica, e suspensão pelo prazo de cento e vinte a trezentos e sessenta dias, se praticada por qualquer outra pessoa natural submetida a este Código, além de multa, de R$ 100 a R$ 100 mil.

Parágrafo 1º Caso a infração prevista neste artigo seja praticada simultaneamente por considerável número de pessoas vinculadas a uma mesma entidade de prática desportiva, esta também será punida com a perda do número de pontos atribuídos a uma vitória no regulamento da competição, independentemente do resultado da partida, prova ou equivalente, e, na reincidência, com a perda do dobro do número de pontos atribuídos a uma vitória no regulamento da competição, independentemente do resultado da partida, prova ou equivalente; caso não haja atribuição de pontos pelo regulamento da competição, a entidade de prática desportiva será excluída da competição, torneio ou equivalente.

Parágrafo 2º A pena de multa prevista neste artigo poderá ser aplicada à entidade de prática desportiva cuja torcida praticar os atos discriminatórios nele tipificados, e os torcedores identificados ficarão proibidos de ingressar na respectiva praça esportiva pelo prazo mínimo de setecentos e vinte dias
 

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