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Brasil foi responsável por 40% da destruição de florestas nativas em 2021

Cerca de 1,5 milhão de hectares foram derrubados ou queimados no país no ano passado

Por AFP | 28/04/2022 às 14:29
CARL DE SOUZA / AFP
Foto: CARL DE SOUZA / AFP

Brasil foi país que mais desmatou em 2021, aponta relatório da Global Forest Watch

Grandes extensões de floresta tropical foram queimadas ou desmatadas em 2021, e substituídas por cultivos, ou pecuária, especialmente no Brasil, e a mudança climática dificulta a conservação da cobertura florestal - advertiram pesquisadores nesta quinta-feira (28).

No ano passado, quase 11,1 milhões de hectares de floresta foram perdidos nas regiões tropicais e, destes, 3,75 milhões corresponderam a florestas primárias, revela o estudo anual da Global Forest Watch (GFW), do World Resources Institute (WRI) e da Universidade de Maryland. 

"São dez campos de futebol por minuto. E está acontecendo há um ano", disse Rod Taylor, que dirige o programa florestal do WRI, referindo-se às florestas primárias.

A destruição destas florestas liberou 2,5 gigatoneladas de CO2 na atmosfera em 2021, o equivalente às emissões anuais da Índia, segundo cálculos de pesquisadores. 

Mais de 40% das florestas primárias perdidas em 2021 estavam no Brasil, com cerca de 1,5 milhão de hectares derrubados, ou queimados, seguido da República Democrática do Congo, com quase 500 mil hectares destruídos. A Bolívia registrou, por sua vez, o nível mais elevado de destruição de florestas desde o início das medições, em 2001, com quase 300.000 hectares. 

Além das florestas tropicais, o relatório mostra que as florestas boreais (do hemisfério norte) sofreram a maior perda de cobertura florestal em duas décadas. Na Rússia, por exemplo, uma temporada excepcional de incêndios provocou a perda de 6,5 milhões de hectares de floresta, um recorde. 

Os pesquisadores alertam para um possível “efeito bola de neve”: os incêndios, mais frequentes, liberam mais CO2 na atmosfera, o que alimenta o aquecimento global, aumentando o risco de incêndios florestais.

Esses dados foram divulgados depois do compromisso de 141 líderes mundiais, na COP26, em Glasgow, realizada no final de 2021, a "deter e reverter a perda de florestas até 2030".

Os pesquisadores advertem que, para atingir esse objetivo, será necessário reduzir drasticamente a destruição de florestas primárias a cada ano, até o fim da década. 

"A própria mudança climática está dificultando a manutenção das florestas que ainda temos", disse Frances Seymour, do WRI, acrescentando que isso mostra a necessidade de se reduzir as emissões de gases de efeito estufa. 

Um estudo recente sugere que a floresta amazônica pode estar mais perto de um "ponto de inflexão" do que se pensava até então, transformando-se em uma savana e passando a liberar grandes quantidades de CO2 na atmosfera.

- "Desastre" -

O ritmo de destruição florestal se acelerou nos últimos anos no Brasil, país que abriga em torno de um terço das florestas tropicais primárias do mundo. 

As destruições que não são causadas por incêndios - e sim, pela criação de zonas agrícolas - aumentaram 9%, em relação a 2020, observa o WRI. 

Em alguns estados do oeste da Amazônia brasileira, esse percentual é de mais de 25%. 

“Essas perdas são um desastre para o clima, são um desastre para a biodiversidade, são um desastre para os povos indígenas e as comunidades locais”, frisou Frances Seymour, observando que estudos recentes mostram que as florestas também ajudam a resfriar a atmosfera. 

Depois de ter atingido níveis muito altos, a Indonésia conseguiu, por sua vez, conter a perda de florestas primárias em 25%, também em relação a 2020,  graças a ações do governo e do setor primário. O WRI alertou, porém, que o fim do congelamento temporário de novas plantaçõse de palma (para fabricação de óleo) e seu preço, no valor mais alto em 40 anos, podem prejudicar esses esforços. 

"Está claro que não estamos fazendo o suficiente para incentivar aqueles que estão em posição de deter a perda de florestas e de proteger as zonas de florestas primárias que restam", criticou Frances Seymour.

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