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"Sou avesso a quem rouba a Petrobras e sou a avesso a não ter vacina no Brasil", já declarou Kalil

20/05/2022 às 03:09
"Sou avesso a quem rouba a Petrobras e sou a avesso a não ter vacina no Brasil", já declarou Kalil

"Sou avesso a quem rouba a Petrobras e sou a avesso a não ter vacina no Brasil", declarou o então prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), em entrevista ao jornal 'O Globo' em fevereiro de 2021. Na época, Kalil fazia referência de que não apoiava Bolsonaro e nem Lula. O pré-candidato ao governo de Minas, agora, encara uma série de declarações passadas em que criticava o PT e o ex-presidente petista ao mesmo tempo em que dividirá o palanque e propagandas eleitorais com Lula e, provavelmente, um vice do partido. 

Em outra entrevista ao jornal carioca, essa de junho do ano passado, Kalil chegou a afirmar que sua tendência era de não apoiar Bolsonaro, mas que também não "pularia no colo do outro". Questionado sobre a posição de não querer nem um nem outro, Kalil foi enfático dizendo que não costuma "pular no colo de quem não explica muito bem as suas coisas". Na sequência, afirmou que os petistas deveriam se explicar melhor sobre as denúncias de corrupção nos governos Lula e Dilma. "Porque agora ficou aquele negócio, tirando os diretores que confessaram, o resto nós temos que apurar tudo de novo", afirmou.

Curiosamente, apesar da recém-firmada aliança formal com o PT, Kalil foi, entre 2001 e 2013, filiado ao PSDB - principal partido de oposição aos governos Lula e Dilma na época. Ele chegou a participar, na eleição de 2010, de uma propaganda eleitoral junto ao então presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella, em apoio a Anastasia, que, na época, disputava eleição contra a chapa de Hélio Costa e Patrus Ananias. 

O ex-prefeito deixou o ninho tucano para se filiar ao PSB, partido em que disputaria a eleição de 2014 como candidato a deputado federal. Não chegou a se candidatar após divergências internas no diretório mineiro da sigla. 

Mesmo com o histórico, Kalil sempre manteve boa interlocução com lideranças do PT. Em sua primeira eleição à Prefeitura de BH, ele recebeu "apoio velado" de alas petistas - naquela disputa, o partido lançou Reginaldo Lopes como candidato, mesmo com o então governador Fernando Pimentel (PT) também mantendo interlocução intensa com Kalil durante o pleito. Na época, o então candidato a prefeito renegava o possível apoio. "Não adianta colar estrela vermelha no meu peito", disse. No discurso de vitória, no dia da eleição, também alfinetou ao dizer, em tom de brincadeira, que acabou "coxinha e mortadela, agora era kibe". Em um debate televisivo, chegou a rejeitar também o nome de Pimentel. “Vamos parar de falar de Fernando Pimentel. Que Fernando Pimentel? Manda ele pro inferno. Não vamos falar de Aécio, manda ele pro inferno. Vamos falar de metrô”.

A relação com o PT também se mostrou presente na construção do secretariado na prefeitura. Kalil escalou nomes muito ligados ao partido, como o do ex-ministro da Cultura, Juca Ferreira, que assumiu a pasta da mesma área por quatro anos. Ele também chegou a convidar o deputado federal Patrus Ananias a assumir uma pasta na parte social, mas Patrus indicou um nome, o da atual secretária Maíra Colares. Na parte de interlocução política, Kalil também contou com petistas, como o ex-vereador Silvinho Rezende, que ainda hoje atua na assessoria do ex-prefeito. 

Nesta quinta-feira (19), após semanas tensas de articulações políticas, a aliança entre Kalil e o PT foi, enfim, selada oficialmente. O ex-prefeito até publicou em suas redes sociais um vídeo, já com jingle, em que se associa a Lula.

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