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Seguir com Luxemburgo é o melhor caminho para o Cruzeiro em 2022?

03/11/2021 às 06:00
Seguir com Luxemburgo é o melhor caminho para o Cruzeiro em 2022?

O técnico Vanderlei Luxemburgo chegou ao Cruzeiro com um discurso otimista, ainda que fora da realidade do clube naquele momento, na Zona de Rebaixamento da Série B do Campeonato Brasileiro.

Em sua entrevista coletiva de apresentação o treinador trouxe um discurso motivacional, falando em conquista de título e acesso e rebateu a imprensa, que falava em luta contra um possível rebaixamento à Série C. “Eu não quero pensar em Zona de Rebaixamento, eu quero pensar em conquista de campeonato. Vocês (imprensa) podem falar em Zona de Rebaixamento, mas não me interessa o que vocês falam, eu vou falar para os meus atletas que nós temos pontos e partidas necessários para conseguirmos o acesso para a primeira divisão e esse é o nosso objetivo.”

É óbvio que o papel do comandante é jogar pra cima, mirar no sucesso e buscar o melhor, mas o fato é que desde então nada mudou. Aliás, mudou sim. Três meses após a sua chegada, Luxa conseguiu fazer aquilo que a mídia pregava e que a ele não interessava: tirou o Cruzeiro do Z4. 

Campanha

Em 18 jogos, o Cruzeiro de Vanderlei Luxemburgo somou 27 pontos, ou 50% de aproveitamento. Foram seis vitórias, nove empates e três derrotas, uma campanha insuficiente para o objetivo traçado no início de agosto, quando o técnico foi apresentado na Toca da Raposa II. O fato é que se o objetivo final do treinador era o acesso à Série A e até mesmo o título da Série B, Luxa fracassou. Sob o seu comando o Cruzeiro jamais figurou entre os 10 primeiros colocados e consequentemente passou longe do G4. Se o desempenho melhorou, os resultados pouco mudaram e a cinco rodadas do final do Campeonato Brasileiro, a luta do Cruzeiro, que jamais foi pelo acesso, continua sendo para fugir do rebaixamento. 

Continuidade 

Mas se a atual comissão técnica fracassou na temporada, por qual motivo parte da imprensa (inclusive este jornalista que escreve) pede a permanência de Luxemburgo em 2022? É simples! Desde a chegada do “pofexô”, o desempenho em campo melhorou e quem havia parado de ajudar financeiramente voltou. Apesar dos resultados e utilizando os atuais 50% de aproveitamento como projeção, se Vanderlei estivesse à frente do Cruzeiro desde a primeira rodada do Brasileiro, o time estaria vivo na briga pelo acesso, a cinco pontos do 4º colocado. Ao analisar o trabalho do Luxemburgo no Cruzeiro é necessário fazer este recorte. 

Outro aspecto favorável ao trabalho e que o experiente treinador apostou em atletas da base, como Adriano, Matheus Pereira e Thiago, encostados por técnicos anteriores. Nomes como Vitor Leque e Vitor Roque também apareceram e agradaram. Se Luxa fracassou em relação ao acesso, pode-se dizer que sua chegada fez bem ao clube, trazendo investidores de volta, apagando incêndios, acreditando na base e exigindo salários em dia. 

É evidente que o Vanderlei Luxemburgo atual está muito aquém daquele que um dia conquistou tudo com o Cruzeiro, mas o clube também não vive mais o glamour de outros tempos (não tão distantes assim). Por mais que os objetivos de 2021 tenham ficado pelo caminho, não por culpa da comissão técnica, mas sim dos gestores, a estrada a ser percorrida em 2022 já precisa ser traçada e por tudo que foi dito acima, o nome Vanderlei Luxemburgo é essencial para a construção do elenco da próxima temporada. Não existe garantia que vai dar certo, mas temos razões para acreditar que com ele o Cruzeiro pode ter uma temporada com mais união fora de campo e melhor desempenho dentro das quatro linhas.

O que não pode voltar a acontecer em 2022 é uma nova troca de comando técnico, com mais apostas, barcas saindo e chegando, investidores insatisfeitos, discursos fantasiosos e a repetição trágica de 2020 e 2021.

E claro, tudo isso acreditando e apostando na permanência do Cruzeiro na Série B em 2022, pois caso o pior aconteça… aí é assunto para outro artigo.

Edu Panzi é jornalista e comentarista esportivo na Rádio Itatiaia
Siga @edupanzi no Twitter

Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

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