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Prosa Poética, no programa Tarde Ponto Com, por Mary Arantes: 'Plantar uma sombra'

Por Mary Arantes , 31/10/2019 às 16:38
atualizado em: 04/11/2019 às 14:41

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Ontem recebi por mensagem uma foto de uma amiga. Mostrava os pés dela sobre uma rede, cena de pura felicidade. Ela me disse que sempre que pensava em uma casa que tem na praia, a primeira coisa que vinha na cabeça era a rede. Ter direito a deitar naquele objeto simples e tão significativo metaforicamente.

De repente lhe deu um estalo: por que não colocar uma rede na sala do apartamento, em vez de esperar pelas férias? Esses pequenos presentes que nos damos, na verdade grandiosos e ao alcance de todos, garantem felicidade em nossas vidas. Não precisa ser uma rede. Mas quantas vezes gostamos de coisas que nos fazem felizes, sonhos possíveis e deixamos para lá? Como se sonhos fossem sempre impossíveis ou pudessem ser deixados para depois.

Sou a rainha da “inventação” de moda e minha casa costuma ser uma surpresa para quem a visita. Tenho uma facilidade imensa de mudar as coisas de lugar, com certeza hábito adquirido com a inconstância da moda, setor em que sempre vivi. Hoje laranja é a cor da moda, amanhã será a vez do lilás e por aí vai.

Imagine então pintar, nem que seja uma parede da sua casa, de uma cor que você ama. Inclusive, você mesma pode fazer isto, tornando tudo um prazer, quase um evento. Depois de pronto, tome um banho para tirar a tinta, coloque um vestido para combinar com a parede, um buquê de flor no jarro e pronto, felicidade certa isso!

Amo casa de portas e janelas abertas, amo pensar que o vento entra e saí limpando tudo, renovando energias. Afinal, como diz a música do Lô Borges “Chuva na Montanha”, “vento não tem onde se deitar”. Agora, pense no vento com o chão da casa lavado, limpinho, seus pés molhados junto ao chão, hummmm, prazer imenso. Melhor ainda se a água que você lavar o chão, for fervida com ervas, alecrim, mirra, limpeza e aroma juntos, sensação de alma lavada, que nem dia de primeira comunhão.

Sabe aquela muda de jasmim que você sempre quis plantar no jardim da frente? Adie não! Arrume uma muda e plante seu sonho, o de chegar em casa e ser invadida por aquele perfume, sinalizando que dali para dentro é ninho, paraíso particular.

Respondi para essa amiga, que me enviou a foto da rede, que meu sonho também era ter uma rede em casa. Tenho uma comprada do Nordeste, que nunca foi dependurada. Apesar de ter um quintal enorme, praticamente ele não tem árvores que suportem o balançar de uma rede. Nunca dependurei a rede, pois sempre quis que ela ficasse à sombra de alguma árvore.  A rede continua aqui, à espera. Sabiamente ela me respondeu: amiga, pendure a rede e depois plante a sombra”!
 

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