Rômulo Ávila

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O único craque que vi jogar em Minas

07/06/2019 às 10:30

Bruno Cantini

Ronaldinho Gaúcho mudou meu conceito sobre craque. A chegada inesperada dele ao Atlético completou sete anos nesta semana. É impossível para quem gosta do bom futebol não sentir saudade do R10.  Em homenagem ao talento do craque, posto abaixo um artigo que escrevi em 2013 sobre ele:  'O único craque que vi atuar em Minas'.

Não vi Tostão, nem Reinaldo jogar e nem outros craques do passado que, em conversas com os mais experientes, sempre são citados: Dirceu Lopes, Piazza e por aí vai. Talvez por isso minha concepção para a palavra “craque” fosse tão, digamos, pouca exigente.  Éder Aleixo e Alex Talento são exemplos de jogadores acima da média que denominei, erradamente, como craques. Meu nível de exigência mudou desde que Ronaldinho Gaúcho chegou ao futebol mineiro, para defender o Atlético. Até assisti a algumas apresentações de outro Ronaldo, o fenômeno, pelo Cruzeiro. Mas, apesar de nascido craque, ele ainda não tinha estourado. 

Nem mesmo se baixasse em mim o espírito do saudoso Armando Nogueira, teria condições de descrever aqui o que Ronaldinho Gaúcho faz com a bola nos pés. O trato fino e as jogadas inesperadas justificam os dois prêmios de melhor jogador do mundo. Ele está entre os poucos que têm a capacidade para fazer o impossível ser tornar provável.  Como dizem no mundo do futebol, o difícil é jogar fácil. E é isso que R10 faz. 

A lei da gravidade parece não existir quando a redonda é, carinhosamente, dominada por ele. Essa virtude é, aliás, a que mais impressiona. De onde vem a capacidade de transformar um tiro-de-meta em um passe, ou em um domínio suave? Por alguns segundos, ele e a sua amiga inseparável parecem se transportar para a Lua, onde os corpos flutuam em câmera lenta. É essa a sensação que tenho ao ver Ronaldinho Gaúcho dominar a pelota. Com certeza, Albert Einstein ficaria de cabelo ainda mais em pé.

Os passes de costas, as bolas enfiadas milimetricamente para os companheiros sem ao menos olhar para o destino, o toque de canela, as canetas, as ‘matadas’ de bola no peito e o festival de chapéus mostram a relação paternal que ele tem com a redonda... Presentes para quem realmente gosta de futebol, como eu.  Por isso, é reverenciado por torcedores de todo o mundo e até pelos adversários.

Se hoje, com exatos 33 anos, ele faz o que faz, imagino o que esse legítimo craque brasileiro aprontava nos tempos mágicos de Barcelona. Pela TV, por mais que os recursos tecnológicos deem a sensação de realidade, não temos a mesma percepção de quando estamos no estádio. É diferente, mais impactante.

E pensar que fui contra a contratação do jogador. Deve ser pelo fato de nunca ter visto, de perto, um craque de verdade dar espetáculo. E é justamente isso que Ronaldinho está fazendo com a camisa do Atlético. 

Só um craque é capaz de fazer torcedores rivais terem a mesma opinião. Vários amigos, torcedores fervorosos do Cruzeiro, já reverenciaram o futebol apresentado por Ronaldinho, deixando a paixão clubista de lado.

Lembro que, em 1999, Ronaldinho Gaúcho já começava a tornar o impossível factível. O gol contra a Venezuela, pela Copa América daquele ano, foi uma das pinturas do jogador. Eu, com apenas 21 anos, acompanhei o feito pela TV do aeroporto de Teresina, no Piauí. Estava aguardando o voo para Belo Horizonte, depois de passar quatro meses disputando o Campeonato piauiense pelo Oieiras Atlético Clube. 

Como diz a letra da música da banda Skank, quem não sonhou em ser um jogador de futebol? Hoje, 14 anos depois, Ronaldinho continua dando show e sendo referência de craque para várias crianças e jovens, que sonham em um dia se tornar um craque como ele. 

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